ANDRESSA CAMILO
A placa neon do pet shop piscava em vermelho destacando que o estabelecimento funcionava 24 horas, enquanto ouvia-se o barulho dos carros e das sirenes espalhadas pela cidade. Logan permaneceu alguns segundos parado diante da entrada antes de empurrar a porta de vidro com o ombro, carregando a caixa de transporte onde Miles observava tudo com seus olhos atentos, completamente indiferente ao mundo lá fora.
O funcionário da recepção, como sempre, os cumprimentou em empolgação enquanto recebia o gatinho acinzentado e entregava um formulário qualquer para assinatura. Logan rabiscou o próprio nome sem realmente ler o que estava escrito, guardou a caneta no balcão e voltou para a rua depois de avisar que buscaria Miles à noite.
A cidade já estava sufocante àquela hora da manhã.
Os letreiros luminosos, os motores, as conversas atravessadas, os passos apressados e os inúmeros rostos desconhecidos se acumulavam ao redor dele como uma massa viva impossível de ignorar, e Logan sentia a exaustão surgir cedo demais todos os dias, como se acordar já significasse iniciar uma batalha silenciosa contra o simples fato de existir no meio de tanta gente.
Desceu as escadas da estação de metrô ajustando a mochila nos ombros e mantendo os olhos fixos no chão, numa tentativa quase automática de evitar qualquer interação desnecessária, embora soubesse perfeitamente que aquilo dificilmente impediria Lenny de encontrá-lo.
E, como sempre, não impediu.
— Logan!
A voz surgiu acima do barulho do trem que chegava à plataforma, alta o bastante para fazê-lo fechar os olhos por um instante em resignação silenciosa.
Lenny vinha em sua direção, usando um casaco amarelo chamativo até demais para qualquer ambiente minimamente normal, sorrindo com a familiaridade irritante de alguém que acreditava genuinamente existir intimidade entre os dois apenas porque compartilhavam o mesmo trajeto diariamente.
— Cara, você viu o jogo ontem? Aquilo no segundo tempo foi absurdo, eu fiquei pensando…
Logan não respondeu.Nunca respondia muito.
Ainda assim, Lenny continuava falando sem qualquer constrangimento, como se o silêncio do outro fosse apenas uma pausa natural da conversa e não uma tentativa extremamente clara de encerrá-la antes mesmo de começar.
[...]
Quando finalmente atravessou as portas de vidro do prédio da agência de marketing, Logan sentiu aquele breve alívio mecânico de sempre, embora o ambiente corporativo da empresa estivesse longe de ser confortável. O enorme saguão iluminado por telas digitais, os slogans motivacionais espalhados pelas paredes e o cheiro constante de café criavam uma atmosfera artificial demais até para os padrões daquele tipo de lugar, como se tudo ali tivesse sido projetado para parecer importante sem realmente ser.
Logan trabalhava no setor de análise de dados e era excepcionalmente competente naquilo que fazia. Conseguia interpretar tendências, prever comportamentos de consumo e desmontar relatórios complexos em poucas horas, habilidades que faziam dele uma peça valiosa para a empresa apesar da dificuldade quase absoluta em estabelecer qualquer relação social dentro do escritório.
A única exceção era Havana.
Talvez porque, diferente dos outros, Havana nunca forçasse conversas desnecessárias nem demonstrasse desconforto diante do silêncio. Ou talvez porque Logan simplesmente gostasse dela muito mais do que gostaria de admitir para si mesmo.
Naquela manhã, porém, ele foi obrigado a participar de uma reunião de marketing completamente inútil para alguém do seu departamento. Um telão gigantesco ocupava a parede principal da sala enquanto executivos discutiam estratégias de divulgação urbana para a nova campanha publicitária da agência, analisando mapas da cidade e decidindo onde posicionariam estrategicamente os anúncios, em painéis digitais e pequenas placas promocionais espalhadas pelas avenidas.
No centro da apresentação havia uma imagem específica: um mosaico geométrico dividido em quatro partes aparentemente desconexas, mas que de alguma forma, em um movimento passavam a se encaixar.
Enquanto um dos gerentes falava empolgado sobre “impacto visual” e “presença de marca”, Logan permanecia afundado na cadeira observando apenas aquele mosaico, completamente desconectado da conversa ao redor. Não fazia sentido que estivesse ali e tinha mais o que fazer. Seu trabalho era analisar resultados, não ouvir discussões intermináveis sobre publicidade urbana.
Foi então que o celular vibrou discretamente sobre a mesa.
“Você podia pelo menos fingir interesse”.
Era Havana.
Logan ergueu os olhos imediatamente e encontrou o sorriso contido dela do outro lado da sala e digitou de volta:
“Gostaria de sumir daqui”.
Hesitou alguns segundos antes de completar:
“Ou melhor. Gostaria que todo mundo sumisse”.
Havana leu a mensagem e sorriu de verdade dessa vez.
E, sem perceber, Logan sorriu junto.
Talvez aquele tivesse sido o único momento genuinamente agradável de todo o dia.
Horas depois, já durante a noite, o escritório começou a esvaziar lentamente enquanto as luzes automáticas desligavam setores inteiros conforme os funcionários iam embora. Havana apareceu ao lado da mesa dele já vestindo o casaco e segurando a bolsa contra o corpo.
— Você não vai embora?
Logan sequer desviou os olhos da tela.
— Ainda preciso terminar uma análise.
Ela assentiu em silêncio.
— Boa noite, Logan.
— Boa noite.
Ele observou Havana desaparecer entre as divisórias do escritório e então voltou a encarar a tela iluminada à sua frente, o mosaico da campanha estava aberto no monitor.
Quatro peças desconexas e estranhas.
Havia tempo demais que ele estava olhando para aquilo.
As formas começaram lentamente a perder nitidez diante dos seus olhos cansados enquanto o som do ar-condicionado preenchia o enorme espaço vazio da empresa. Sem perceber exatamente o momento em que aconteceu, Logan acabou adormecendo sobre a cadeira.
Quando despertou, o escritório estava completamente escuro.
Por alguns segundos permaneceu imóvel, desnorteado, tentando compreender o próprio entorno enquanto o silêncio absoluto do ambiente parecia estranho demais para aquele horário. Então viu o relógio no monitor, o que era noite já avançava para madrugada.
O pensamento em Miles atingiu Logan imediatamente, o fazendo levantar tão rápido que quase derrubou a cadeira, jogando notebook, carregador e papéis aleatórios dentro da mochila antes de correr em direção aos elevadores.
Mas alguma coisa estava errada, a recepção do prédio estava vazia. Não havia seguranças, não havia recepcionistas. Não havia ninguém.
As portas de vidro permaneciam abertas para a avenida deserta lá fora. E lá fora também não existia absolutamente nada. Nenhum carro, nenhuma buzina, nenhuma bicicleta e nenhuma pessoa.
A cidade inteira parecia abandonada.
Logan permaneceu imóvel na calçada durante alguns segundos, tentando racionalizar o que via diante de si enquanto um desconforto começava lentamente a surgir.
Mesmo assim, começou a andar. Talvez houvesse algum problema, um apagão, uma evacuação ou qualquer explicação lógica parecia melhor do que aceitar o silêncio absurdo que tomava conta de tudo.
Mas a estação de metrô estava vazia também.
Quando desceu até a plataforma, sentiu o estômago gelar ao encontrar um trem parado nos trilhos completamente apagado, sem luzes, sem passageiros e sem qualquer ruído mecânico funcionando em seu interior, como se tivesse sido abandonado no meio do caminho.
Foi naquele instante que Logan compreendeu que aquilo não era normal e saiu dali imediatamente, precisava encontrar Miles e essa era a única coisa concreta à qual conseguiu se agarrar naquele momento.
Enquanto caminhava pelas avenidas vazias tentando ignorar o próprio desespero, seus olhos acabaram encontrando um outdoor digital aceso no meio de um cruzamento completamente deserto.
Era a campanha da agência, o mesmo mosaico. Mas agora, havia apenas uma das quatro peças na tela.
Após alguns segundos, uma frase surgiu logo abaixo da imagem:
“RESULTADO É A RESPOSTA.” - era a famosa logo da agência em que trabalhava. Logan permaneceu observando sem entender o significado daquilo até ouvir um grito distante ecoando entre os prédios vazios.
— LOGAN!
Ele fechou os olhos imediatamente, aquilo só podia ser algum tipo de castigo.
Quando virou o rosto, viu Lenny correndo desesperadamente em sua direção pela avenida, acenando como alguém que acabava de reencontrar outro sobrevivente após o fim do mundo.
— Cara, graças a Deus! Eu achei que tava sozinho!
Lenny parecia genuinamente aliviado, enquanto Logan, por outro lado, sentia apenas um cansaço profundo diante da ironia daquela situação.
Permaneceu alguns segundos encarando o rapaz antes de simplesmente virar as costas e continuar andando.
— Ei! Espera! Onde você tá indo?
— Buscar meu filho.
O silêncio atrás dele durou pouco.
— Você tem um filho?!
Logan continuou andando.
— É um gato.
— …você chama seu gato de filho?
Ele não respondeu.
[...]
Mesmo diante do cenário absurdo ao redor, Logan sentiu vontade de desaparecer apenas para não precisar continuar aquela conversa. A caminhada até o pet shop pareceu interminável.
A caminhada até o pet shop pareceu interminável, não apenas pela distância em si, mas porque a cidade, agora completamente vazia, parecia mais um labirinto, como se as ruas deixassem de obedecer à lógica habitual e começassem a se estender dobrar de tamanho conforme eram atravessadas, criando uma sensação constante de que o caminho era sempre maior do que deveria ser.
Lenny seguia ao lado de Logan com passos apressados demais para alguém que já demonstrava sinais claros de cansaço, ainda tentando sustentar algum tipo de leveza na conversa mesmo que sua voz começasse a falhar ocasionalmente entre comentários aleatórios que, em qualquer outro contexto, talvez fossem apenas irritantes, mas que ali, naquele silêncio urbano absoluto, acabavam parecendo quase irreais.
— Então… isso significa que você realmente chama o gato de filho? — ele perguntou depois de um tempo, como se aquilo fosse uma dúvida genuína e não apenas uma tentativa desesperada de manter algum vínculo verbal com o único outro ser humano visível na cidade.
Logan não respondeu, não porque não tivesse ouvido, mas porque qualquer resposta parecia exigir uma energia que ele já não tinha disposição de gastar.
O pet shop surgiu no fim da avenida como uma estrutura escura e silenciosa demais para um lugar que funcionava vinte e quatro horas por dia, e foi justamente essa ausência de luz, som ou qualquer sinal de vida que fez Logan desacelerar instintivamente antes de atravessar a rua em direção à porta de vidro.
Quando chegou, tentou abrir a porta imediatamente, puxando a maçaneta com força, depois empurrando, depois batendo com a palma da mão contra o vidro, como se a insistência pudesse alterar a realidade ao redor, mas tudo permanecia imóvel, sólido e indiferente, até mesmo o interior do estabelecimento parecia inexistente por trás da escuridão espessa.
— Ei, calma… — Lenny começou, mas parou ao perceber o estado de Logan.
— Miles… — Logan murmurou, pressionando a testa contra o vidro como se pudesse enxergar algo através da escuridão absoluta.
Ele tentou novamente, com mais força, mais desespero, mais violência, até que o som seco do impacto começou a ecoar pela avenida vazia sem qualquer retorno, e foi nesse momento que o controle que ele ainda tentava manter começou a se desfazer.
— Ele tá aqui dentro — disse Logan, mais para si mesmo do que para Lenny.
— Ou talvez não tenha ninguém aqui dentro — respondeu Lenny, com cautela, como alguém tentando não piorar uma situação que já estava claramente fora de controle.
— Ele tá aqui dentro!
O silêncio que veio depois foi longo o suficiente para tornar qualquer som da cidade inexistente ainda mais pesado.
Logan ficou imóvel por alguns segundos diante da porta, respirando de forma irregular, até finalmente recuar um passo e passar a mão pelo rosto, como se tentasse reorganizar mentalmente tudo aquilo que ainda parecia minimamente possível de ser compreendido.
— Temos que sair daqui — ele disse, num tom mais baixo, mas agora mais firme, como se tivesse decidido que a única alternativa aceitável era avançar em vez de permanecer preso àquele ponto.
— Sair daqui… tipo, da cidade? — Lenny perguntou, sem conseguir esconder a incredulidade.
— Isso não é normal — Logan respondeu, já se afastando do pet shop — e se não é normal, então existe uma estrutura por trás disso, alguma lógica, algum sistema, alguma coisa que explique o que está acontecendo.
Lenny ficou em silêncio por alguns segundos antes de simplesmente segui-lo, como se não tivesse outra escolha além de acompanhar o raciocínio de alguém que, naquele momento, parecia ser a única âncora possível em meio ao absurdo.A partir dali, começaram a caminhar sem direção definida, atravessando ruas inteiras que pareciam se repetir de forma sutilmente alterada, como se a cidade estivesse sendo reconstruída em pequenas variações enquanto eles avançavam, e foi nesse percurso que o primeiro indício de algo estruturado surgiu novamente na forma de um enorme outdoor digital ainda ativo no meio de uma avenida completamente deserta.
Os dois pararam ao mesmo tempo.
A campanha da agência estava lá outra vez, mas agora duas peças do mosaico apareciam conectadas, formando um fragmento mais coerente de uma imagem maior que ainda não se revelava por completo, enquanto abaixo delas a frase brilhava com uma clareza quase agressiva no contraste com o vazio ao redor.
“RESULTADO É O SEGREDO.”
Logan permaneceu olhando por tempo demais, como se estivesse tentando não apenas ler, mas interpretar algo escondido entre as formas geométricas daquilo que ele conhecia tão bem do trabalho, até que seus olhos começaram a acompanhar padrões, encaixes, possibilidades, como se a mente dele automaticamente retornasse ao único tipo de lógica que ainda fazia sentido.
— Isso não é só publicidade… — ele disse, finalmente, mais para si do que para Lenny.
— Claro que não é só publicidade — Lenny respondeu — a cidade inteira desapareceu, cara.
— Não! Eu quero dizer… isso está organizado.
Ele deu um passo à frente, observando com mais atenção, como alguém analisando um problema complexo que finalmente começava a revelar uma estrutura interna.
— Quatro partes… — continuou Logan, quase sussurrando — um resultado final…
Foi quando a ideia se formou de maneira completa o suficiente para ser verbalizada.
— Precisamos encontrar o mosaico completo.
— E isso significa o quê exatamente? — Lenny perguntou.
Logan não respondeu imediatamente, porque a resposta ainda soava absurda até mesmo dentro da própria lógica dele, mas ainda assim foi a única conclusão que conseguiu aceitar.
— Significa que isso aqui tem um centro. Um ponto final. Um “resultado” de verdade.
A partir desse instante, começaram a procurar.
A cidade, que já era estranha antes, passou a se comportar como um espaço deliberadamente resistente ao avanço deles, com ruas que levavam de volta aos mesmos pontos, passagens que terminavam em becos inexistentes momentos antes, escadas que pareciam surgir apenas para desaparecer quando retornavam ao mesmo local, como secada tentativa de progresso fosse suavemente desviada para impedir qualquer aproximação de um objetivo final.
O terceiro outdoor surgiu depois de um período impossível de medir, numa espécie de túnel urbano onde telas quebradas ainda piscavam fragmentos de luz, e dessa vez três partes do mosaico estavam conectadas, formando uma imagem ainda mais próxima de algo reconhecível, enquanto uma seta discreta apontava para frente, como se a própria cidade estivesse indicando o caminho sem nunca permitir que ele fosse simples.
Pelo menos, faltava somente o último. Mas em compensação, a procura por ele foi ainda mais exaustiva, estavam caminhando há horas e parecia cada vez mais difícil.
Foi ali que o desgaste começou a se acumular de forma mais evidente, não apenas no corpo, mas na forma como os dois reagiam um ao outro, já que Lenny tropeçava ocasionalmente no próprio ritmo da caminhada, esbarrando em estruturas abandonadas e comentando em voz alta sobre fome, sede e a estranheza de tudo aquilo com uma frequência cada vez maior, enquanto Logan tentava ignorar tudo isso e manter o foco apenas na lógica dos padrões que começava a enxergar com mais clareza para encontrar o último outdoor, embora a irritação fosse crescendo de forma silenciosa até atingir um ponto em que qualquer som adicional parecia excessivo.
— Você consegue parar de falar por alguns minutos? — Logan disse finalmente, sem levantar o tom de voz, mas com uma exaustão evidente.
— Eu literalmente não estava falando nada agora — Lenny respondeu imediatamente.
— Então pelo menos respira mais baixo.
— Isso não faz sentido nenhum.
Logan passou a mão pelo rosto, como se estivesse tentando impedir que a própria mente se dispersasse completamente.
— Eu devia ter ido sozinho!
O silêncio que veio depois foi mais pesado do que qualquer resposta poderia ser.
Lenny apenas o encarou por alguns segundos antes de continuar andando sem dizer nada.
A tensão entre eles se manteve até o momento em que finalmente encontraram o quarto outdoor, desta vez no topo de um edifício gigantesco, iluminando a cidade vazia como um farol artificial, e foi justamente nesse instante que a última peça do mosaico se encaixou, formando a imagem completa, agora claramente identificável como uma estrutura de passagem, algo que parecia ao mesmo tempo uma porta e um diagrama, enquanto a frase final pulsava abaixo com intensidade crescente.
“RESULTADO É O SEGREDO.”
Nenhum dos dois sabia exatamente qual seria a resposta, mas ambos começaram a correr em direção à grande tela brilhante imediatamente.A cidade parecia reagir ao movimento deles, como se o espaço ao redor começasse a se alinhar com a direção daquele objetivo final, ao mesmo tempo parecia que quanto mais corriam, mais longe pareciam estar.
A luz do painel preenchia os prédios ao redor enquanto eles atravessavam a avenida em disparada, e por um instante tudo pareceu finalmente fazer sentido dentro da lógica interna que Logan vinha construindo desde o início daquele evento impossível.
Até que, de repente, ele acordou.
Ofegante e confuso, com a luz fria do monitor que queimava seus olhos enquanto o escritório reaparecia lentamente ao redor.
O ambiente estava novamente escuro e silencioso. O relógio marcava 22:07 e isso
significava que ele havia dormido apenas três horas.
Logan permaneceu sentado durante alguns segundos tentando recuperar o fôlego antes de finalmente perceber que tudo não passou de um sonho, ou melhor: de um pesadelo. Dessa vez, porém, arrumou seus pertences devagar e foi caminhando em direção à saída do prédio, ainda desconfiado e esperando encontrar o vazio novamente, apesar de consciente.
Mas quando chegou ao térreo e as portas automáticas se abriram, o som da cidade atingiu seus ouvidos imediatamente: motores, conversas, buzinas, passos. Os ônibus atravessando as avenidas iluminadas. Pessoas andando de bicicleta, atravessando ruas, discutindo ao telefone, vivendo suas vidas caóticas e barulhentas como sempre fizeram. Logan permaneceu alguns segundos parado observando toda aquela confusão cotidiana diante de si.
Então, respirou aliviado e seguiu seu caminho.No dia seguinte, indo para o trabalho mais uma vez, tranquilo por Miles estar seguro em casa, Logan não deixou de abrir um pequeno sorriso quando viu Lenny entrar pela porta do metrô e olhar em sua direção.

