domingo, 19 de janeiro de 2025

a megera indomável


 Emilly Caroline De Albuquerque Monteiro 


O filme “10 Coisas que eu odeio em você” foi lançado em 1999 e é uma adaptação da peça “A Megera Domada", de William Shakespeare, situada em um contexto contemporâneo de escola de ensino médio. O filme traz uma abordagem divertida e romântica com uma narrativa que envolve uma mistura de comédia, romance e rebeldia. 

A narrativa conta a história de duas irmãs, a Kat e a Bianca, que possuem personalidades bem diferentes. Bianca é popular, delicada e cobiçada por todos, enquanto Kat é inteligente, sarcástica e tem zero interesse em relações amorosas. As duas vivem com o pai, que tem regras bem rígidas que impedem que Bianca namore antes que Kat também tenha um namorado, o que gera várias situações engraçadas, já que Kat não quer um relacionamento e já é até conhecida por sua aversão a qualquer tipo de relacionamento. 

A solução para o conflito entre elas surge quando Patrick, que é interpretado pelo grande ator Heath Ledger, um jovem problemático e misterioso, é contratado para seduzir Kat, com o objetivo de permitir que Bianca comece a namorar. O que começa como uma simples transação, evolui para algo mais profundo à medida que Patrick começa a se apaixonar verdadeiramente por Kat. O romance é cheio de reviravoltas e desentendimentos que formam a trama. 

O filme mostra bem como o estilo de Shakespeare pode ser traduzido para o contexto moderno, mantendo sua essência e a complexidade emocional. O roteiro é inteligente e, ao mesmo tempo, leve, proporcionando várias cenas memoráveis, como acredito ser o momento mais famoso do filme, o momento em que o Patrick canta Can't Take My Eyes Off You para Kat, em uma das sequências mais icônicas do cinema adolescente. 

As atuações são outro ponto forte do filme. A atriz Julia Stiles entrega uma Kat cheia de identidade, e há um equilíbrio entre a personagem forte e independente com momentos de vulnerabilidade. Heath Ledger, no papel de Patrick, exibe o carisma e a química que se tornaram sua marca registrada em outros papéis. 

Porém, o filme não é apenas sobre romance. Ele também toca em temas como identidade, empoderamento feminino, e a pressão social para se encaixar em padrões. Embora algumas situações possam ser previsíveis, o que hoje chamamos de “clichê conforto”, 10 Coisas que Eu Odeio em Você consegue equilibrar sua leveza com momentos de reflexão e profundidade. 

Basicamente, 10 Coisas que Eu Odeio em Você é um clássico do cinema adolescente, divertido, emocionante e cheio de personagens cativantes. Sua combinação de comédia romântica, diálogos e performances memoráveis garante seu lugar como um dos filmes mais amados e conhecidos desse gênero.

O cultivo dos sonhos


 Nascida em uma casinha de taipa no sertão, observou desde muito cedo a tentativa do cultivo com a terra seca onde só restava a fé nos dias de chuva que tardavam a chegar. Nos olhos do avô uma bonita esperança por dias chuvosos. Na memória permanece o cheiro de terra molhada, a dança na chuva, brincadeiras de pega pega e pular em poças. Cresceu ouvindo conselhos para buscar algo melhor e sair da cidade pequena, onde existem desafios significativos. Ainda assim, foi difícil deixar para trás pessoas que amamos. A verdade é que ela continua a mesma menina que corria descalça no terreiro, acreditando que a educação é a ponte que conecta sonhos ao futuro. Apesar de difícil, sua história não é apenas sobre sair do interior, e sim sobre carregar o interior consigo, respeitando suas origens, a simplicidade e a força. Afinal, não importa o tamanho do lugar onde nascemos, mas o tamanho dos sonhos que cultivamos 

Larissa Araújo

Torto Arado

 


 João Vitor dos Santos Sousa

 

Resenha do Livro “Torto Arado” (2019), de Itamar Vieira Junior

Ambientado no sertão da Bahia, “Torto Arado” traz à tona a realidade de uma comunidade quilombola, abordando questões como racismo, desigualdade social, luta pela terra, espiritualidade e resistência cultural. A narrativa apresenta a trajetória das irmãs Bibiana e Belonísia, descendentes de escravizados, que vivem na Fazenda Água Negra, onde a exploração da mão de obra negra persiste ao longo das gerações.

A história tem início com um episódio marcante que transforma a vida das duas irmãs. Durante a infância, Belonísia encontra uma faca escondida na mala da avó e, ao brincar com o objeto, sofre um acidente, perdendo parte da língua, ficando muda. Esse acontecimento cria um laço ainda mais forte entre as irmãs, que enfrentam juntas as dificuldades impostas pela realidade opressora em que vivem. A narrativa se desenrola em três partes, cada uma conduzida por uma personagem: Bibiana, Belonísia e Santa, o que permite ao leitor um mergulho em diferentes perspectivas sobre os conflitos e desafios enfrentados pela comunidade.

Outro ponto de destaque no livro é a espiritualidade, que permeia o cotidiano dos personagens e reforça a conexão com a ancestralidade. As figuras dos encantados, entidades místicas que representam a força da natureza e dos antepassados, desempenham um papel importante nas decisões da comunidade. Essa ligação com o sagrado mostra como as crenças populares funcionam não apenas como um refúgio espiritual, mas também como uma forma de resistência frente à opressão.

Com uma escrita rica em detalhes, Itamar Vieira Junior utiliza uma linguagem poética para capturar a beleza e a dureza da vida no campo. O autor não se limita a descrever a paisagem rural, mas também denuncia as condições de trabalho precárias que se assemelham à escravidão, trazendo à tona a luta dos trabalhadores rurais por dignidade e liberdade.

A questão da posse da terra aparece como um dos principais pilares de resistência. O romance evidencia como o território é mais do que um espaço físico: é parte da identidade e da sobrevivência dessas comunidades. Além disso, o livro discute o papel das mulheres na construção dessa resistência, trazendo episódios de violência e abuso que revelam a dura realidade enfrentada por muitas delas.

Em resumo, “Torto Arado” é uma obra que não só emociona, mas também provoca reflexões profundas sobre justiça social, cultura e história. Ao resgatar memórias e tradições muitas vezes silenciadas, o livro destaca a força da ancestralidade como um guia para o presente e o futuro.

Auto da Compadecida


 INGRED MACIEL TARGINO 


"O Auto da Compadecida"(2000), dirigido por Guel Arraes e baseado na peça homônima de Ariano Suassuna, é uma adaptação que mescla elementos de comédia e drama num cenário de escassez e esperança. O filme conta a história de dois personagens principais: João Grilo (Matheus Nachtergaele), um jovem pobre muito astuto e ambicioso, e Chicó (Selton Mello), um mentiroso medroso. Inconformados com a realidade que vivem, os atrapalhados amigos desenvolvem um plano para enganar os moradores da sua cidade, mas tudo se complica quando um grupo de cangaceiros invade a cidade. Juntos, enfrentam uma série de situações inusitadas, inclusive uma intervenção divina. 

O grande trunfo do filme é a forma como ele liga elementos da cultura nordestina a temas universais, como a luta pela sobrevivência e a dualidade entre o bem e o mal. A trama é uma epopeia desengonçada e carismática, que cativa e diverte o espectador. Como se é de esperar, o roteiro é recheado de diálogos rápidos e engraçados que proporcionam ao público risos constantes, traços típicos da escrita de Ariano. Ele utiliza o humor para abordar também questões profundas, como a corrupção, a fé, a moralidade e as relações humanas, sem perder a leveza. 

A interpretação do elenco é outro ponto alto. Matheus Nachtergaele e Selton Mello entregam performances memoráveis como João Grilo e Chicó, sem falar da grande Fernanda Montenegro e sua interpretação de Nossa Senhora. No entanto, a obra também peca, em alguns momentos, pela superexposição de alguns estereótipos e pela rapidez com que certas tramas se resolvem. 

Ainda assim, "O Auto da Compadecida" tem seu valor cultural e artístico reconhecido, sendo uma das grandes obras do cinema brasileiro. Ao apresentar personagens complexos e uma narrativa que atravessa o folclore e a religião popular, o filme se torna uma obra que encanta, diverte e gera reflexões de forma leve. A obra, no final, é uma verdadeira celebração da esperteza e da fé popular, com o nordestino sendo apresentado como um ser resiliente e espiritualmente forte, que se reinventa diante das adversidades da vida.

Promethea 3

 


Igor Aguiar de Melo

 

            Imagine que você está indo realizar uma pesquisa para um trabalho acadêmico, em mais só mais um dia comum na sua vida de estudante. Dessa vez, o tema da pesquisa é sobre algo que você nunca ouviu falar: uma tal entidade chamada Promethea. O tema lhe gera estranheza, mas também curiosidade e até uma fascinação, e você decide se aprofundar na pesquisa, deixando sua mente aberta para a descoberta, mas aberta de uma forma tão literal, que Promethea simplesmente entra por ela. Quando você perceber, já vai ter se transformado na própria Promethea.

            Retratado na série de quadrinhos do autor Alan Moore, Promethea é uma personificação da imaginação e da criatividade, uma entidade milenar que "encarna" no corpo de pessoas que se abrem e entram em sintonia com sua essência. Na série de Moore, Promethea encarna no corpo da estudante Sophie Bangs, quando ela realiza uma pesquisa sobre a entidade, e a partir disso terá que trilhar uma fantástica jornada.

            Promethea é sobre a força da imaginação e da criatividade. Ainda no início da série, Sophie tem que ir a um lugar chamado Inmateria, de onde surge a Promethea, um lugar que se apresenta como o mundo da imaginação, onde reside todas as ideias, pensamentos e sonhos da humanidade. É um lugar onde você encontrará tudo aquilo que a sua imaginação já criou, e onde qualquer coisa que você imaginar poderá surgir bem na sua frente. O mais interessante é que a maneira de entrar na Inmateria é, primeiramente, pensando nela, pois é um mundo conectado ao que se passa no imaginário, dentro de nossas mentes.

            Por fim, Promethea está aí para nos lembrar da importância e da força da imaginação e da criatividade, de quando o imaginário e o real se encontram.

Promethea 2


 Poema sobre Promethea


Lavínia Heloisy Manso Cruz

 

“Promethea,” dizia o texto em tom disfarçado,

“uma ideia viva, um sonho invocado.

aquele que escreve e ousa chamar,

pode o manto da imaginação carregar.”

 

curiosa, Sophie seguiu as linhas,

entre mitos antigos e formas divinas.

as palavras dançaram em sua mente desperta,

e abriram um portal, como uma porta aberta.

 

o mundo tremeu, o céu se abriu,

e Promethea, em luz, ali surgiu.

“tu me chamaste com a força do pensar,

agora, Sophie, deves meu legado aceitar.”

 

assustada, mas cheia de fascinação,

Sophie sentiu o peso da revelação.

“quem sou eu para carregar tal poder?”

“és a próxima,” disse Promethea, “deves aprender.”

 

em um instante, Sophie mudou,

seus olhos brilharam, sua voz ecoou.

sentiu a magia, o mundo expandir,

era Promethea, pronta para agir.

Promethea 1

 


João Victor Medeiros Candido 

Em um mundo onde a imaginação tem poder, surgiu Promethea, uma heroína nascida das palavras de um poema. Criada por uma jovem poeta, Promethea não era apenas um personagem, mas uma encarnação viva da imaginação, uma força que atravessou as fronteiras da mente humana para se tornar real. 

Promethea, com sua armadura feita de sonhos e uma espada forjada em palavras, tornou-se a guardiã daqueles que ousavam sonhar. Mas sua existência despertou a ira de demônios, criaturas sombrias que se alimentavam do medo e da repressão criativa. Eles decidiram capturá-la, tentando apagar a luz que ela espalhava pelo mundo. Ao chegarem, os monstros foram pra cima de uma menina chamada Julia que estava acompanhada de Promethea se tornando amiga e consequentemente participante daquela intensa luta. 

A batalha foi longa. Promethea enfrentou os demônios em uma guerra que transcende o físico, atingindo o coração da mente humana. Cada golpe dela era uma ode à liberdade, e cada vitória, uma celebração da criatividade da mente humana. 

Mesmo cercada pela escuridão, Promethea nunca cedeu. Ela sabia que cada artista, cada sonhador, era uma parte dela. Unidos, eles formaram uma força indomável. No final, Promethea prevaleceu, não apenas como uma vencedora, mas como um símbolo eterno de que a imaginação é invencível. Após a batalha, ela e Julia foram passear em outras cidades, curtiram, dançaram e foram embora felizes.